Publicado em 24/02/2026 às 18h30
Por Gabriel Cabral, colunista cultural da Folha Noroeste
A peça “Ciranda das Flores”, estrelada por Helena Ritto, Jonathan Faria e Beatriz Amado, é um convite delicado e potente a atravessar o tempo por meio da música, da memória e da transformação. Voltada ao público infantil, mas construída para emocionar todas as idades, a montagem reafirma a força do teatro como espaço de encontro entre gerações.
Com trilha inspirada em cantigas folclóricas brasileiras e uma narrativa que fala sobre crescimento e amadurecimento, o espetáculo transforma o palco em um jardim simbólico onde cada personagem floresce diante dos olhos da plateia.
Uma história sobre crescer e se reconhecer
Em “Ciranda das Flores”, a jornada dos personagens é também a jornada do público. A trama evolui como uma ciranda — movimento coletivo, circular, afetivo — em que cada etapa representa um processo de descoberta e transformação.
A encenação combina música ao vivo, elementos lúdicos e uma estética que dialoga com o imaginário infantil, mas sem subestimar a sensibilidade dos adultos. O resultado é uma experiência sensorial que resgata memórias e cria novas lembranças.

Teatro que emociona além da infância
Segundo Helena Ritto, que concedeu entrevista exclusiva para a Folha Noroeste, o espetáculo ultrapassa o rótulo de “teatro infantil”.
“A criança nunca vem sozinha ao teatro — e a arte é para todos. ‘Ciranda das Flores’ toca adultos porque fala de transformação, de percurso, de amadurecimento. A história evolui e o público torce pelos personagens como quem torce por si mesmo.”
Para a atriz, o impacto no público adulto está diretamente ligado à memória afetiva. As músicas folclóricas brasileiras funcionam como pontes emocionais.
“Os adultos se reconhecem ali, como espectadores da própria vida, atravessados pela memória afetiva das músicas folclóricas brasileiras e pela emoção da narrativa.”
Essa camada dupla — encantamento para os pequenos e reflexão para os grandes — é um dos pilares que sustentam a força do espetáculo.
O público mudou — e o teatro também
Helena mergulhou no teatro para crianças em 1994 e acompanha, desde então, as transformações culturais e comportamentais das plateias.
“O mundo mudou profundamente. Os hábitos, o ritmo de vida e o repertório cultural do público são outros. O essencial permanece — o encantamento, o clássico, as boas histórias —, mas a forma de contar precisa acompanhar essa evolução para continuar dialogando com quem está na plateia hoje.”
A análise aponta para um desafio contemporâneo: como preservar a essência das narrativas clássicas em um mundo acelerado, hiperconectado e repleto de estímulos visuais?
Em “Ciranda das Flores”, a resposta está no equilíbrio.
Atualizar sem perder a poesia
A montagem passou por adaptações ao longo do tempo, mas sem abrir mão da sua identidade.
“A base continua sendo a história e a emoção. O que muda são os ‘temperos’: a linguagem do texto, os arranjos musicais, referências contemporâneas.”
Helena explica que pequenas inserções — um toque de guitarra nos arranjos, uma gíria atual, uma referência moderna — ajudam a aproximar a obra do presente.
“Tudo isso aproxima a obra do presente, sem tirar sua poesia nem sua profundidade.”
Essa estratégia garante que crianças de hoje se sintam representadas e conectadas, enquanto os adultos encontram familiaridade e nostalgia.
Uma ciranda que une gerações
Com atuações de Helena Ritto, Jonathan Faria e Beatriz Amado, “Ciranda das Flores” reafirma a importância do teatro como espaço de afeto e formação cultural.
Em tempos de consumo rápido de conteúdo, o espetáculo propõe pausa, escuta e partilha. É uma experiência coletiva que convida pais, filhos, avós e educadores a ocuparem o mesmo espaço simbólico — e emocional.
Ao final, como toda boa ciranda, ninguém sai igual a quando entrou. Afinal, florescer é um processo — e o teatro, quando bem feito, é um dos solos mais férteis para isso.
Para acompanhar as próximas datas de espetáculo, acompanhe a peça nas redes sociais: @cirandadasflores.



















