REGIONAL

Ministério Público quer fechar usina de asfalto da Prefeitura de São Paulo

Cetesb diz que nos últimos 17 anos a usina de asfalto na Barra Funda levou dez advertências e 11 multas, além de operar ilegalmente desde dezembro de 2017

Publicado às 10h30

G1 São Paulo

O Ministério Público Estadual deve entrar na Justiça para pedir o fechamento da usina de asfalto da Prefeitura de São Paulo, que funciona na Barra Funda. Segundo a promotoria, a usina está operando ilegalmente desde dezembro.

Segundo os registros da Cetesb, nos últimos 17 anos a usina de asfalto levou dez advertências e 11 multas. Os motivos: fazer muito barulho, emitir poluentes e contaminar águas subterrâneas.

Edvaldo Godoy, presidente da Associação de Moradores e Amigos da Barra Funda, disse que a usina está completamente deslocada no tempo. “E na situação das pessoas, né. Porque há 40, 50 anos, você está comendo pó aqui. Um pó ruim. Você limpa a casa, a sua mãe sua família limpa lá os móveis, no dia seguinte está a mesma coisa. Está preto. Você imagina isso dentro de um pulmão, de um ser humano, durante anos e anos.”

Um Termo de Ajustamento de Conduta foi assinado em 2011 entre o Ministério Público e a Prefeitura para que a usina saísse dali. O prazo para a transferência acabou e a fábrica continua funcionando. A licença de operação venceu em dezembro do ano passado.

O arquiteto José Luiz Tabith é vizinho da usina há pouco mais de um ano, diz que comprou um apartamento ali porque a fábrica ia sair. ”Olha, a usina, ela foi nos apresentada como algo superado, porque havia já um acordo com a promotoria e a prefeitura, que ela deveria ter saído no final do ano passado. Muitos moradores vieram para a Barra Funda, que com o novo plano diretor se tornou, pela própria prefeitura, uma área de grande densidade, a prefeitura quer revitalizar. O coeficiente de uso aqui é quatro – poucos lugares na cidade têm essa característica, porque a gestão urbana pretende transformar a região. E nós acreditamos nos acordos públicos e imaginamos que a usina seria retirada.”

Os vizinhos reclamam da sujeira, da poluição e do barulho durante a madrugada.

Eduardo Alexandre Mendes, administrador, disse que “é um pesadelo. É terrível, né. É 24 horas barulho infernal de máquinas. O cheiro, a poluição, a fumaça irrita os olhos. Você sente o cheiro de óleo pesado, produtos químicos. É muito ruim.”

Para Paulo Saldiva, médico e professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, disse que a inalação dos produtos expelidos pela usina é perigosa à saúde. “Sim, existe. As emissões da usina de asfalto estão consistentemente associadas com risco maior de adoecimento. Nos estudos epidemiológicos realizados, você tem um risco pequeno, porém significante de câncer de pulmão e de bexiga e nos trabalhadores também de estômago. Porque você deglute também. Enfim, ela se soma mais a essas fontes de poluição que são o tráfego intenso. Aquela região também tem tráfego intenso.”

A Cetesb informa que aplicou mais uma advertência à usina – além das citadas na reportagem. A última penalidade foi porque a Prefeitura não renovou a licença de operação. A Secretaria Municipal das Prefeituras Regionais disse que após instalação de filtros para diminuir a poluição atmosférica, a usina está dentro dos limites legais permitidos pela Cetesb, e que está negociando um novo prazo para o termo de ajustamento de conduta.

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