COTIDIANO

Vagões de trem voltam aos trilhos para restauro após 17 anos de abandono

Nos dias 12, 19 e 26, trem fará viagem para Paranapiacaba, com partidas às 8h30

Publicado às 13h45

Folha de SP

O trem parte, de novo. Dezessete anos após percorrer pela última vez a ferrovia, dois vagões de passageiros voltaram aos trilhos no interior de São Paulo.

Foram 17 longos anos desde 14 de março de 2001, quando pela última vez transportaram passageiros entre Campinas e Itirapina. Agora, viajaram de Itirapina a São Paulo para serem recuperados e usados no Expresso Turístico, que opera na capital.

A situação de outrora em nada parece com o momento atual dos vagões. Enquanto em 2001 eles estavam limpos, com bancos e teto em bom estado de conservação, hoje têm chão sujo, teto com necessidade de restauro e bancos quebrados, rasgados ou queimados –além do desgaste natural do tempo.

O “renascimento” dos vagões ocorreu na última quarta-feira (1) e reuniu a bordo um personagem emblemático nessa história toda: Vanderlei Antonio Zago, que trabalha na ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) e esteve na última viagem dos carros de passageiros em 2001.

Num estado em que só há trens turísticos em operação em trechos menores, ver vagões de passageiros nos trilhos paulistas parece um cenário surreal.

A composição deixou Itirapina às 12h e chegou a Campinas apenas às 21h, já que o trecho tem várias obras em andamento. De carro, o percurso de 127 quilômetros é feito em pouco mais de uma hora e meia.

A jornada iniciou com o trem cruzando o trecho urbano da cidade, passando por meio de matas e lavouras na sequência e encontrando outro trem, no sentido contrário –em linhas diferentes, claro.

O trajeto contempla ainda pontos com vegetação queimada devido ao tempo seco e a visão noturna do campo que os passageiros tinham quando viajavam num dos dois carros, que eram de segunda classe e pertenceram à Estrada de Ferro Araraquara.

Zago registrou em vídeo a viagem, que oferece ainda ângulos diferentes dos habitualmente vistos, como a visão a partir do trem da rodovia Washington Luís, no trecho entre Santa Gertrudes e Rio Claro, e o cruzamento com outra locomotiva na escuridão.

“Para mim foi uma viagem emocionante, porque estive no último trem entre Campinas e Itirapina, justamente com esses dois carros em questão e voltei neles 17 anos depois, no mesmo trecho”, disse Zago.

Além do trecho até Campinas, os vagões foram levados a Jundiaí no mesmo dia. Na sexta-feira (3) percorreram o trecho até a Lapa, na capital.

LOGÍSTICA

Antes da viagem para restauro, os vagões estavam em Bauru e foram para Pederneiras, onde questões técnicas dos carros de passageiros foram resolvidas para que pudessem viajar. Uma delas foi a colocação de um vagão vazio na cauda, norma para traslados do gênero.

Além da ABPF, a operação envolveu CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), as concessionárias Rumo e MRS e o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que cedeu os vagões à ABPF.

Em parceria com a CPTM, eles serão utilizados no Expresso Turístico, que parte todas as semanas da Estação da Luz. Segundo a ABPF, os dois vagões são iguais a outros já existentes em operação na capital.

Os dois carros de aço inox passavam por um processo visto como agonizante por membros de associações de preservação ferroviária.

Com eles parados em Bauru, foram depenados e só não estão em pior estado devido às ações de um funcionário da prefeitura, que se dedicou a tentar protegê-los.

Os vagões antes da derradeira viagem de 2001. Foto: Vanderlei Antonio Zago/ABPF

EXPRESSO TURÍSTICO

O Expresso Turístico, que vai receber os vagões após o restauro, é um serviço inaugurado em 2009 pela CPTM e a Secretaria dos Transportes Metropolitanos para integrar pontos turísticos em sua malha ferroviária.

Os carros de passageiros são tracionados por uma locomotiva a diesel e, no trajeto, há monitores que explicam a história da ferrovia e das estações percorridas.

Os vagões usados pertenceram à Estrada de Ferro Araraquara e faziam no passado a linha entre a Estação da Luz, na capital, e Santa Fé do Sul, passando por Campinas, Araraquara e São José do Rio Preto, entre outras cidades. Por rodovia, o trajeto hoje tem 627 quilômetros.

O expresso percorre aos sábados e domingos os trechos Luz-Jundiaí, Luz-Mogi das Cruzes e Luz-Paranapiacaba.

Nos dias 12, 19 e 26, ele fará o trajeto até Paranapiacaba, com partidas às 8h30. No dia 11, irá até Mogi das Cruzes, no mesmo horário.

Já as partidas para Jundiaí acontecerão nos dias 18 e 25, às 8h30.

 

Folha Noroeste

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