REGIONAL

Obra de recapeamento da Prefeitura apaga ciclovia na Barra Funda; ciclistas andam no meio-fio e na contramão

CET disse que via para bikes será novamente implantada na Avenida Marquês de São Vicente. Sem orientação, ciclistas andam até na faixa de ônibus

Publicado às 10h15

G1 São Paulo

Uma obra de recapeamento da Prefeitura apagou a ciclovia da Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, Zona Oeste da cidade de São Paulo, há três semanas, de acordo com ciclistas da região. Em nota, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) disse nesta quarta-feira (29) que vai implantá-la novamente, após realizar serviço de recapeamento.

O trajeto de 1,5 km, situado entre as avenidas Ordem e Progresso e Nicolas Boer, foi o último criado pela gestão Fernando Haddad (PT) em dezembro de 2016, quando concluiu sua meta de criar 400 km de faixas exclusivas para bicicletas. 

A faixa era estreita e não deixava os ciclistas com um metro de distância dos motoristas, mas servia a quem queria acessar a zona norte pedalando. No dia 8 de agosto, no entanto, a ciclovia foi removida, de acordo com William Cruz, analista de sistemas, ciclista e criador do Vá de Bike, um site que é referência para quem anda de bicicleta na cidade.

Ciclista pedala em trecho da Avenida Marquês de São Vicente onde havia uma ciclovia. Foto: Vivian Reis/G1

“Essa rota é muito utilizada por quem vai da zona norte para o centro por ser plana e extensa, permitindo um deslocamento com menos esforço e mais rapidez”, diz William em vídeo compartilhado nas redes sociais. “Deveriam ter feito uma sinalização temporária, como na Vergueiro, mas ela só saiu depois de um protesto, uma reportagem na TV e um atropelamento”, continua.

Em nota, a CET confirma que a Avenida Marquês de São Vicente passou por obras do programa Asfalto Novo e garantiu que ‘nos próximos dias iniciará o projeto de reinstalação da ciclovia’, sem especificar a data ou oferecer uma rota alternativa.

Sem orientação

G1 esteve no trecho na tarde desta quarta-feira e constatou que houve recapeamento apenas sobre a ciclovia, em ambos os sentidos, sem qualquer sinalização ao ciclista que utilizava o trecho, nem orientação sobre rota alternativa.

Nesta tarde, alguns ciclistas pedalavam na ciclovia, agora invisível, outros optaram por seguir na contramão para ver os veículos e correr menos riscos, outros pedalavam entre os veículos motorizados e houve ainda quem confiasse nas faixas de ônibus.

“Sou moradora da Freguesia do Ó e sempre passo por aqui. Percebi a marcação em azul na pista e depois a obra. Pensei: ‘caramba, como vou fazer?’. Depois achei que era uma reforma da ciclovia, que era mesmo ruim, ocupando praticamente apenas a sarjeta”, disse Fernanda Silva, de 34 anos. “Sou apaixonada por bike e isso aqui é meio de transporte pra muita gente. Queria tanto que aqui fosse como aquela da Avenida Sumaré! Eu aproveitaria muito mais”, continua.

O jornaleiro Marcelo da Silva Robi, de 43 anos, tem uma banca exatamente em frente a ciclovia e também a utilizava para chegar ao trabalho. Ele garante que o trajeto é bastante movimentado e também não entendeu o motivo da obra. “Quando vi, falei ‘poxa, mas está tudo em ordem! Por que mexer? Estava pintada, tinha sinalização com olhos de gato, balizadores… era organizadinha até. Mas realmente, se estivesse no canteiro central, pegando toda a avenida de fora a fora, com certeza seria muito bem utilizada”, aposta.

Sem qualquer informação sobre a obra no trecho ou orientação de rota alternativa, Fernanda optou pela contramão, como muitos ciclistas nesta tarde, mas diferentemente da servidora pública Ticiana Pinho Albuquerque, de 37 anos, que seguia junto ao meio fio no mesmo fluxo dos carros.
“Sei que sou pequena e vulnerável comparando com carros e ônibus, mas chamo os anjos e vou-me embora. Conto com minha total atenção, sempre sem fones. Tem que estar muito presente no que está fazendo”, contou Ticiana, que utilizou muito a ciclovia quando trabalhava na Barra Funda.
Fernanda Silva sai da Freguesia do Ó e costumava usar a ciclovia da Marquês de São Vicente. Foto: Vivian Reis/G1
Ela disse que quase foi atropelada por duas vezes no trajeto, em diferentes ocasiões, “porque os ônibus entram no bairro e os ciclistas seguem reto”. “Quase morro numa dessas. Essa ciclovia é muito fininha, tem que ser mais gorda, mas não tem sentido tirá-la. Que retrocesso é esse? Estamos evoluindo na consciência de que há espaço para todos”, completa.

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